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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

FAO prevê conflitos por falta de alimentos


Naturamente concentrados nas eleiçãos não atentamos para mais nada, mas a Organização de Alimentação e Agricultura (FAO) prevê uma grande instabilidade na oferta e preços de alimentos. Abdolreza Abbassian, economista da organização, afirma que a combinação de psicologia e expectativa pode provocar choques em muitos países. Em Moçambique já morreu gente pelo aumento de 30% no preço do pão devido ao preço do trigo resultante das quebras de safras da Rússia e outras nações produtoras, consequentes de secas e efeitos sobre oferta e preços.

A FAO afirma que em agosto passado foi acentuado os aumentos nos preços de alimentos. Há muita gente que lembra o que aconteceu há anos. A falta. O desespero. Estamos, o que é normal, tão concentrados nas eleições que não prestamos atenção a tal fato. Mas no próximo dia 24 haverá reunião dos especialistas mundiais na questão de grãos para discutir a oferta. Vão examinar a instabilidade climática e efeitos sobre colheitas. Quais as perspectivas? O que pode ser feito?

A Rússia sofreu de seca, mas outros grandes produtores de grãos como Canadá e Alemanha, de excesso de chuvas e enchentes. A FAO afirma que as colheitas na Argentina e talvez na Austrália tendem a sofrer de secas. O clima não corresponde ao tradicional. Faz o que quer. Os pobres do mundo tendem a sofrer de preços mais altos do pão.

Abassian diz que em geral os preços de alimentos estão no momento inferiores a 2008. Naquele ano, é bom lembrar, em certos países o preço do arroz, seu alimento básico, triplicou provocando até queda de governos. A coragem provocada pela fome é mais forte do que qualquer lei. Em agosto a Rússia previu a perda de um quinto de sua colheita o que bastou para dobrar o preço do trigo. A região do Mar Negro-Ucrania, Kasakstan e Rússia, garantia 30% da oferta mundial que sofre a quebra. Em defesa do consumidor russo o governo de Moscou suspendeu as licenças de exportação até 2011. A FAO diz que americanos, Europeus e Australianos poderão cobrir a diferença. Mas existe o efeito psicológico das más noticias da Rússia que faz com que se espere falta.

A FAO diz que não é simples mudar efeitos de expectativas. Aí entram os efeitos da crise financeira. Os investidores estão aplicando e armazenando grãos em lugar de moeda ou papéis. Estão especulando. O povo vai pagar.

Não é só. O professor Pinstrupo-Andersen, especialista em agricultura da Universidade Americana de Cornell, prevê que sofreremos grandes flutuações climáticas e por consequência da oferta de alimentos. “Vamos ter de conviver com flutuações nos preços”, afirma.

Fonte - Último Segundo

sábado, 1 de maio de 2010

Mais de mil milhões de pessoas têm fome no mundo

Alerta da Organização para a Alimentação e Agricultura, devido à crise económica e à subida dos preços dos alimentos nos últimos três anos.

"Em 2009, o número daqueles que sofrem de fome no mundo aumentou 105 milhões em relação a 2008 e o número ultrapassa hoje os mil milhões", afirmou Jacques Diouf, na abertura dos trabalhos da XXXI Conferência Regional da FAO para a América Latina e as Caraíbas, que está a decorrer no Panamá.

Destes mil milhões de pessoas, 642 milhões vivem na Ásia e no Pacífico, 265 milhões em África, 42 milhões na América Latina e nas Caraíbas e 15 milhões nos países desenvolvidos, explicou.

Os países mais afectados são a República Democrática do Congo e a Eritreia, que têm 75% e 66% dos seus habitantes com fome, respectivamente. No Haiti, o país com mais fome nas Caraíbas, este é um problema que atinge 58% da população.
África é sempre o continente mais afectado pela subnutrição, que atinge 28% da sua população.

O director da FAO explicou que o aumento da subnutrição nos três últimos anos se deve à diminuição dos investimentos no sector agrícola, ao aumento do preço dos alimentos e à crise económica.

Nos países em vias de desenvolvimento, as famílias gastam até 50% dos seus rendimentos com a alimentação, uma taxa que nos países desenvolvidos é de 20%.
Jacques Diouf apelou a uma "política mundial de segurança alimentar", recomendando que esta política deve ter em consideração a necessidade de aumentar a produção agrícola em 70% nos países desenvolvidos e em 100% nos países em desenvolvimento, para garantir a alimentação de uma população que, em 2050, estará próxima dos 9,1 mil milhões de habitantes.
De acordo com um relatório da FAO, "a gravidade da crise alimentar actual é o resultado de 20 anos de investimentos insuficientes na agricultura e do abandono" a que o sector foi votado.


Fonte - Jornal de Notícias
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